quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O que aprender com os Salmos


Por que alguém diria “Deus é bom para comigo desde a minha mocidade” — se isso não tivesse sido de fato verdade?

 
Pois é desse modo que os salmos nos apresentam as orações testemunhos que neles existem em abundancia.
 
A mais trágica expressão humana nos salmos, como quando se deseja a morte dos inimigos, ainda é carrega de esperança de vida; e, quando feitas, são sempre no acometimento de injustiças imensas; ou diante do exagero daqueles em cujas mãos eles haviam sido entregues, e que os tratavam com maldade desmedida. No entanto, ainda assim, os ecos das antigas orações sempre vêm carregados de fé e de esperança.
 
Até mesmo na depressão expressa em muitos salmos o que se vê é fé. Mesmo quando o salmo termina em trevas, como o 88, em estado de abandono, num poço de escuridão, o que se sente é que ainda assim existe um “tu, porém, estás comigo”; ou mesmo um “contudo o Senhor é a minha esperança”. Ou quando não se diga nada disso, o espírito, no entanto, é o de quem sabe que fala com Quem é e ouve.
 
A verdade dos salmos nem sempre é o que neles está dito; mas sim que o que está dito, foi como foi; ou seja: foi verdadeiramente o sentimento. Assim, falso ou errado o sentimento, sua expressão é divinamente sincera. É verdade.
 
Até mesmo a sinceridade equivocada é mais agradável do que a verdade falada de modo insincero.
 
Os salmos são desse modo pura sinceridade. Eles nos apresentam os homens falando com Deus de si mesmos, dos outros, do passado, do futuro, do presente; e falando de Deus para Deus. Eles ousadamente lembram a Deus Quem Deus é. Mas também descrevem a natureza da doença humana como em nenhum outro lugar.
 
O misterioso é que eles carregam profecias, especialmente de natureza messiânica.  
 
Jesus usou os salmos mais do que qualquer outro livro da Escritura. Paulo deles se serve com liberdade, e o mesmo o fazem escritores como o da Epistola aos Hebreus. Sem falar que o Apocalipse está impregnado de orações com estilo e conteúdos dos salmos.
 
Os salmos são viscerais e são quase sempre subjetivos na linguagem. Também são carregados de imagens tiradas do dia a dia, da geografia e seus acidentes; de animais; de situações de alegoria ou analogia extremas, como quando se é engolido por monstros, tragados por dilúvios, imerso no abismo da escuridão, perdido no meio do oceano, abandonado como cria indefesa no deserto, ou largado pelos irmãos num poço escuro.
 
A pulsão mais presente nos salmos é o espírito da ressurreição. Talvez, por isso, Jesus, depois de ressuscitado, mencionou os salmos com freqüência — assim nos é dito nos evangelhos, especialmente em Lucas.  
 
Por isso, os salmos tem sido medicina contra a morte na alma e no espírito por tantos milênios.
 
Eu amo ler e pregar nos salmos.
 
Os salmos tem sido alimento de sinceridade para minha alma no meu falar com Deus; e, ouvindo a Deus, muitas vezes deles me tem vindo a coragem de olhar para mim mesmo sem vestiduras ou defesas.
 
Não sei se isto que digo, e com a simplicidade e brevidade deste meu dizer, será útil a alguém no estimulo à leitura dos salmos. Mas se for de ajuda, muito me alegrarei com tal fato.
  Caio 22/02/08Lago NorteBrasíliaDF

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